Olá meus amigos e o Alexandre, cá estou pela primeira vez para fazer meu primeiro post no Pla.net.br.
E já vou contrariar tudo que está escrito no Sobre sobre falar de produtos e tal. Ou talvez não.
Estive em uma discussão recentemente sobre o Zeebo, video-game “puramente” brasileiro, fabricado pela Tec-toy. “Puramente” em aspas, porque, na verdade, ele só foi montado no Brasil. Todo hardware dele é fabricado lá fora. Mais precisamente, o hardware dele é fabricado pela empresa estado-unidense Qualcomm.
Particularmente, eu era/sou um grande entusiasta desse video-game. Acho que um projeto de video-game brasileiro só nos traz benefícios. Um video-game novo em um mercado novo é tudo que o pessoal que gostaria de programar jogos queria: é a possibilidade de disputar com gente do seu nível de conhecimento e experiência no mercado. E SERIA ABSOLUTAMENTE IMPRESSOCRÍVEL VER ESSE MERCADO CRESCENDO NO BRASIL.
Infelizmente, é muito difícil você disputar em um segmento de mercado com quem já sabe o que faz. Você tem que ter sorte ou ser realmente super-fantasticamente bom naquilo. Uma tirinha dos Malvados para você entender como as coisas são:
É claro que, infelizmente, faz parte da cultura brasileira agir com sentimentalismo em relação ao país. Seja ufanismo, seja ódio. Dessa forma, muitas pessoas criticaram o projeto simplesmente pelo fato de ser brasileiro. Alguns até tentam justificar suas críticas, mas o erro começa aí: descobrem o problema no projeto depois de criticar, não antes (o que é coisa de problogger né). Falam, por exemplo, que o video-game tem um hardware ruim, muito inferior aos video-games de ponta.
O que não se tocam, contudo, é que é bastante difícil entrar em um mercado com menos recursos, menos experiência e ficar de igual pra igual. MEU, pensa só: imagine que você comece a vender a drogas, você acha que já vai chegar com aquela coca regada com mel pra todos os playboyzinhos da sua faculdade? Pô, claro que não. Sem contar que os traficantes que já trabalham a mais tempo podem simplesmente não gostar da concorrência, dar uns pipocos em você e você perder, playboy.
A idéia do Zeebo com suas escolhas, pelo que percebo, é simplesmente diminuir os gastos, para aumentar o time-to-market e diminuir os custos do projeto. Time-to-market é uma coisa importantíssima, posto que ele está completamente relacionado aos custos do projeto também. Perder 4 anos para fazer um video-game com hardware maravilhoso e tudo mais e ele não vingar, é um problema sério para uma empresa que quer… bem, que quer continuar existindo.
O Zeebo usa hardware de um celular, basicamente. O que é uma boa idéia, até certo ponto. É barato, já está feito, já tem compiladores, tem suporte e, o principal: já há uma base de dados na plataforma.
Para quem não é da área, explico: isso é importante porque construir um software para diversas plataformas é difícil. Migrar o software de uma plataforma para outra já é difícil. Tudo isso demanda tempo, recursos e gente trabalhando. E, pensando nisso, qual empresa investiria no Zeebo, que tenta entrar em um mercado novo e não se tem nenhuma segurança de que daria certo? A única forma de tornar o desenvolvimento de jogos atrativos para grandes produtores é tornar isso barato. Isso não diminui muito o risco deles, mas diminui o prejuízo, caso haja.
Ainda sobre o hardware, continuam: o gráfico dos jogos é ruim e que por isso ele não vai dar certo. Esse argumento é naturalmente Pedro Bial. Gráficos não são primordiais. Quer a prova? Colheita feliz/farmville. Qual é o gráfico destes jogos? Por que fazem tanto sucesso? Pelos seu gráficos é que não é (na verdade, acredito que o sucesso desses jogos especificamente são dados de forma bastante anti-éticas, clique e leia).
E a impressão que tenho é que os jogos dele são realmente ruins. Gráficos ruins, jogabilidade ruins, tudo. Aparentemente, a Tectoy criou um sistema atrativo para desenvolvedores mas não para consumidores.
Mas antes que falem, a culpa não é do hardware, seus putos.
Vamos à parte que interessa: sistemas embarcados. Para quem não está muito ligado no que é um sistema embarcado, ai vai a definição que mais gosto (dentre trocentas que você encontra por aí): sistema embarcado é todo produto em que a parte computacional do sistema não é o principal do produto. Exemplo: telefone celular. Você compra um celular por ele ter um processador X ou por ele te oferecer recursos X? Outro exemplo: carros. Você compra um carro por ele ter coisas X e freio ABS ou porque o processador utilizado no freio ABS é Y? Não, você compra ambos pela sua funcionalidade, não pelo seu “computador” embutido.
Um celular. no qual foi baseado o Zeebo, é um sistema embarcado, conforme já dito. Assim, vamos lá: o problema dos jogos do Zeebo serem aparentemente ruins não é culpa exatamente do processador utilizado e sim da plataforma que eles vieram. Existem, basicamente, três restrições no celular e que não estão em um video-game:
- Ele não é ligado na tomada;
- Ele não é ligado na TV;
- Ele não tem um controle.
Essas restrições geram:
- Celulares tem restrições de energia. O que isso implica? Isso implica que os programas feitos para celulares não utilizam todo seu poder computacional exatamente para limitar o uso de energia. Executar programas gasta energia. Se esses programas forem pesados, gastam mais energia. Se a energia gasta é muita, o celular para de funcionar rápido e ninguém gosta dele (pensem em ejaculação precoce que vocês vão entender).
- Texturas piores são menos perceptíveis em uma tela menor. Não sou da área de computação gráfica, mas imagino que a forma de se tratar uma imagem para que ela fique melhor em uma tela de celular seja bem diferente do que em uma TV. Devido a isto, os gráficos parecem ser naturalmente piores;
- Finalmente, o terceiro, o principal ponto: a jogabilidade de um celular é diferente da de um controle. A forma de se segurar, a atenção que se tem, a agilidade que você precisa. TUDO, é bem diferente.
Assim, o Zeebo pode até ter jogos ruins e tal, mas, pelo amor, A CULPA NÃO É DO HARDWARE. Ele podia ta matando, ta roubando, mas tá só processando jogos ruins.
É isso ai.
Este foi um publieditorial da Nintendo.
BRINKS.
Abraços.



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